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Estação do Parque Biológico de Gaia - Vila Nova de Gaia

A Estação de Borboletas Noturnas do Parque Biológico de Gaia começou a funcionar em março de 2021. Dentro das regras definidas pela Rede de Estações de Borboletas Nocturnas, o registo de espécies e de indivíduos que ocorrem na armadilhagem luminosa vai somando.

Com frequência, a maior parte das espécies que surgem sessão a sessão já se encontram na lista do parque, mas, por vezes, já tem acontecido aparecerem à luz borboletas noturnas que não integravam essa mesma lista, que contava em 2021, em abril, 391 espécies.

O tipo de armadilha luminosa em que se centra este trabalho, pela maior produtividade, é o de uma lâmpada de vapor de mercúrio de 240 W em pano branco. Não era preciso tanto, mas foi o que se conseguiu arranjar na altura. Esta lâmpada conta já cerca de 16 anos de utilização esporádica, suspensa sobre um lençol velho estendido no chão. A este sistema junta-se, noutros dias, uma caixa luminosa tipo Skinner com lâmpada mista de 160 W, que funciona no mesmo local em algumas noites em que não se preveja chuva, sítio esse do percurso conhecido por quinta do Bogas. Entre o pasto das vacas, de um lado, e o dos corços, do outro, devidamente separados pelo bosque em que predomina carvalho-alvarinho, os insetos vão pousando.

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No mês de março de 2021, na armadilhagem que utiliza lençol branco e lâmpada de vapor de mercúrio (2021-3-16), anotaram-se 15 espécies e cerca de 30 indivíduos. Em 12 de abril, ocorreram 27 espécies e registou-se meia centena de indivíduos. Em 7 de maio, pousaram cerca de 40 espécies e 70 borboletas.

As espécies novas entretanto lançadas na lista de borboletas do parque, em março, abril e maio, foram estas: em 2021-3-16, Agrotis puta (Hübner, 1803), que não reapareceu na sessão de abril nem de maio; em 2021-4-12, Raphia hybris (Hübner, 1813), identificada por Eduardo Marabuto; em 2021-5-7, Polypogon plumigeralis (Hübner, 1825) e Tethea ocularis (Linnaeus, 1767).

No item multimédia do site do parque - https://parquebiologico.pt/pbg/multimedia/sessoes-de-armadilhagem - estão a

ser deixados os álbuns fotográficos das espécies anotadas em cada mês. Com a importante ajuda de Henrique N. Alves e de Luís Lopes, as macrofotografias registam pormenores impressionantes, difíceis de observar em plena sessão noturna.

Se tivéssemos de destacar duas espécies habituais nossas conhecidas de outros anos, que é bom reencontrar, apontaria pelo seu mimetismo a Pterostoma palpina (Clerck, 1759) e, pela sua beleza natural, a Habrosyne pyritoides (Hufnagel, 1766).

Texto: Jorge Pereira Gomes

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